A essência do naturalismo filosófico

Em:
"As Farpas" (1890/91) - Crônica mensal da política, das letras e dos costumes, por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão.

"O erro da velha denominação de Direito Natural procedia de que os filósofos desconheciam a natureza, e em sua boa fé a consideravam reta e justa. Mas Darwin veio. Desde então ficou demonstrado que, pelos processos porque ela opera na formação dos agregados humanos, a natureza é imoral e é iníqua.

A lei do universo baseia-se sobre o concurso d'estes dois grandes agentes: a luta pela vida e a seleção natural. A luta pela vida é o estado permanente de todos os seres, para os quais a criação é uma eterna batalha. A sorte do conflito decide-a a seleção natural. Como? Fixando na espécie, pela adaptação ao meio, os seres mais fortes, e expulsando os seres inferiores. Por isso o professor Haeckel afirma: “A teoria de Darwin estabelece que nas sociedades humanas, como nas sociedades animais, nem os direitos nem os deveres nem os bens nem os gozos dos membros associados podem ser iguais”.

É isso!

Nota:
Eça de Queiroz fora contemporâneo do naturalista inglês Charles Darwin, por quem fora influenciado na composição de algumas das suas obras.

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